Inaugurado em 1974, o Mercado Distrital do Cruzeiro, localizado no bairro de mesmo nome na região Sul de Belo Horizonte, foi criado por iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte. Inicialmente administrado pela COBAL (Companhia Brasileira de Alimentos), foi construído para abrigar os feirantes de diversas feiras de rua da região centro-sul da capital.

Com o início do funcionamento do mercado, além da proibição de feiras de rua, a PBH não mais forneceu alvarás de funcionamento para lojas de pequeno porte dedicadas à comercialização de produtos hortifrutigranjeiros na região citada. Desta forma, o Mercado do Cruzeiro teve, até o início da década de 1990, uma posição privilegiada pois o mercado mais próximo era o Mercado Central, a 4 km de distância. A partir da liberação dos chamados “sacolões”, que passam a oferecer o mesmo tipo de produtos por menor preço, e a subsequente expansão dos supermercados de bairro, que oferecem um período de funcionamento bem maior, o Distrital iniciou um longo período de queda das vendas, que perdura até hoje.

Porém a maior ameaça tem sido a sanha dos incorporadores imobiliários. Em 2010, poucos meses após entrar em vigência a Lei Municipal no. 9.952, que incentivou a construção de equipamentos de saúde e hoteleiros com vistas à realização da Copa do Mundo na cidade, um grupo de incorporadores apresentou à possíveis investidores, com a anuência da PBH, um mega projeto de instalação de um shopping-center, um centro de eventos e entretenimento e uma torre de hotel no local do mercado. Os comerciantes do mercado, representados por sua cooperativa, foram contra a derrubada do galpão do mercado e a possível construção do novo empreendimento. Estavam certos que ficariam sem trabalho e sem meios de sobrevivência durante o tempo de construção – no mínimo dois anos – e sabiam que nunca teriam capital suficiente para adquirir, ou mesmo alugar, lojas na parte que seria dedicada a um mercado. Felizmente, por diversas razões, a inviabilidade do projeto foi comprovada pelo trade turístico da cidade, que veementemente foi contra a construção de tal empreendimento.

Atualmente o Mercado do Cruzeiro é administrado por uma cooperativa formada por comerciantes do próprio mercado , a COMEC- Associação Comunitária do Mercado do Cruzeiro, que continua reivindicando junto à PBH ajuda financeira para reformas urgentes na antiga construção. Em resposta, a Prefeitura instituiu um grupo de trabalho composto por sete secretarias de estado, a fim de estudar e propor a recuperação e a gestão dos mercados municipais de Belo Horizonte, inclusive o do Cruzeiro. Conheça a lei: Decreto no. 16.726 de 27/09/2017